Omeprazol pode aumentar o risco de câncer? Saiba a opinião de especialista

13/11/2017

Autor: Redação Minha Vida

Fonte: Portal Minha Vida

A notícia de que os medicamentos inibidores de bomba de próton (IBP), como Omeprazol, Pantoprazol e lansoprazol, poderiam aumentar em até 2,4 vezes o risco de câncer de estômago deixou muita gente preocupada. Afinal, os medicamentos em questão possuem justamente a função de tratar casos de refluxo, gastrite e úlceras estomacais.

O estudo foi realizado pela Universidade de Hong Kong e pela University College London. Para chegar a essa descoberta, os pesquisadores recrutaram 63 mil adultos e compararam o uso do IBP a um outro medicamento, conhecido como H2, que também limita a produção de ácido estomacal.

Os participantes foram tratados entre 2003 e 2012 e depois acompanhados até o final do estudo, em 2015. O acompanhamento dos pesquisadores tinha como objetivo saber se os participantes do estudo morreram, tiveram câncer de estômago ou outra consequência.

Neste período, 3.271 pessoas receberam IBP por aproximadamente três anos, enquanto 21.729 participantes tomaram bloqueadores de H2. No total, 153 pessoas desenvolveram câncer de estômago durante a pesquisa.

O estudo apontou que em pessoas que fizeram uso diário de IBP a chance de ter câncer de estômago aumentou cerca de 4,55 vezes em relação a quem fez uso semanal. Do mesmo modo, o risco de câncer aumenta cinco vezes se o medicamento for tomado por um ano e pode subir para oito vezes se for consumido por mais de três anos.

Não posso mais usar omeprazol?

A pergunta que muitas pessoas que fazem uso do medicamento querem saber é bem direta: preciso parar de tomar omeprazol?

Os medicamentos inibidores de bomba próton costumam ser muito consumidos pela população em âmbito mundial. Sendo assim, ler uma notícia de que eles podem aumentar o risco de câncer de estômago assusta bastante. Por isso, o Minha Vida conversou com especialistas para entender um pouco mais sobre o assunto.

Segundo o oncologista Artur Malzyner, do Hospital Israelita Albert Einstein e consultor científico da Clinonco - Clínica de Oncologia Médica, os pacientes que se trataram com IBP tinham realizado anteriormente um tratamento contra a bactéria H pylori. Essa bactéria é responsável pela ocorrência de úlceras e gastrite crônica - quando ocorre inflamação no estômago - e é um fator de risco para certos tipos de tipos de câncer de estômago, inclusive linfoma gástrico.

"Não há como afirmar com certeza, mas é possível que o grupo que tomou o IBP já pudesse ser considerado um grupo de risco para o câncer de estômago uma vez que já havia tratado a bactéria H pylori", explica o oncologista. Além disso, ele diz que o número de pessoas diagnosticadas com câncer de estômago - cerca de 153 - é baixo em relação à quantidade de pacientes que fizeram uso dos medicamentos IBP - um total de 3.271 pessoas.

Por ter sido feita com uma parcela específica de pacientes, segundo o oncologista, não é possível afirmar que o uso de omeprazol possa aumentar o risco de câncer de estômago em pacientes que não fizeram tratamento contra a bactéria H pylori.

Além disso, acredita-se que grande parte dos participantes da pesquisa fos Por outro lado, Anelisa diz que pessoas que já foram tratadas para H pylori podem utilizar medicamentos da classe dos inibidores de bomba de prótons, como omeprazol, quando necessário, a depender da patologia e da indicação médica.

Independentemente de ter realizado tratamento contra a bactéria h pylori ou não, o ideal é conversar com o seu médico e avaliar se há necessidade de tomar medicamentos da classe de omeprazol ou se, em caso de problemas estomacais, é possível realizar o tratamento com outros medicamentos. sem orientais, uma vez que o trabalho foi realizado em Hong Kong. Pensando nisso, a oncologista Anelisa Coutinho, diretora da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), afirma que a população oriental tem hábitos de vida e alimentação particulares, o que faz com que no Japão exista uma grande incidência de H pylori e, consequentemente, grande incidência de câncer gástrico também.

Uma pesquisa divulgada na World Journal of Gastroenterology explica que a dieta da população oriental possui alta concentração de sódio, nitratos e conservantes. Quando esses ingredientes são consumidos em grandes quantidades, podem aumentar o risco de câncer de estômago. De acordo com informação divulgada pelo Hospital do Câncer de Barretos, o câncer gástrico é a segunda causa de morte entre os homens e a principal entre as mulheres.

Os especialistas concordam ao dizer que o estudo é um formador de hipótese, mas não é conclusivo. Em declaração, a Federação Brasileira de Gastroenterologia disse que o estudo "deve ser analisado com muita atenção e cautela porque pode sugerir associação, mas não causa e efeito".

Esse foi um estudo retrospectivo, observacional, não-randomizado, e como tal, deve ser analisado com muita atenção e cautela. Essas pesquisas podem sugerir associação, mas não causa e efeito, pois não foi encontrada uma relação direta que comprove que medicamentos inibidores de bomba próton possam causar câncer no estômago.

Malzyner acredita que, em pacientes que realizaram tratamento contra a bactéria H pylori, o consumo de omeprazol pode ser um risco, portanto é preciso cautela. Já em pessoas que não realizaram tratamento contra a bactéria, não há evidências suficientes de que possa aumentar o risco de câncer de estômago.

Acesse o link do Portal Minha Vida: http://www.minhavida.com.br/saude/materias/32022-omeprazol-pode-aumentar-o-risco-de-cancer-saiba-a-opiniao-de-especialista

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